domingo, 19 de octubre de 2008

Amores

O que acho fascinante neste mundo é que "cada pessoa" é um mundo. Caminhamos pela avenida repleta de gente, barulho de passos e um bla-bla-bla que nao distinguimos, mas ali naquele enorme fluxo de seres humanos, cada um está absorto em seus pensamentos... Às vezes fico pensando no que pode estar pensando aquela senhora ali, aquele cara, aquela menina com cara triste... A percepçao é uma coisa maluca: a primeira vista somos todos iguais, mas algo em nós sabe dizer que nao somos. Por quê? Aliás, como nao conhecemos essas pessoas a sensaçao às vezes é até de irrealidade, como se este fosse um mundo virtual e tudo aquilo nao passasse de um jogo da imaginaçao... Gostaria de me aproximar, de conhecer a cada um. Diz a música que existem tantas pessoas especiais! eu me sinto especial. Mas pra pessoa ali da frente eu sou apenas mais uma na multidao. E é triste pensar que a cada minuto que passa no meio dessa multidao, muitos se aproximam e muitos outros vao embora. Foram sem te conhecer, e muitos outros virao e terao o mesmo fim. Triste fim, inevitável fim...
Tudo isso me leva a pensar em outra coisa que me chama a atençao: Os amores platônicos. Eu sou uma garota de amores platônicos, acho que sempre fui. Sim, porque existem pessoas que parecem sempre atentas às possibilidades, e outras nao... (talvez seja um erro pensar assim!)
A questao é que... eu posso passar dias, semanas, meses e até anos interessada por alguém. Variam as intensidades e as duraçoes, mas de todas formas é fato. E esse alguém pode passar dias, semanas, meses e até anos, ou a vida inteira (!), triste fim, sem saber que houve um interesse, sem sequer saber... Muitos amores acabam sem nunca terem sequer saído da imaginaçao. Me pego pensando que é algo cruel demais nesse mundo, ignorar o interesse de pessoas que poderiam mudar a nossa vida. Nao mudar de uma forma utópica e romântica, mudar porque podem nos trazer uma experiência feliz, nao é isso que conta na vida?? (sim, a experiência também pode ser infeliz, mas eu sou uma pessoa positiva e prefiro nao pensar nisso, aliás, até a experiência negativa tem seu lado bom).
Nao pretende escrever uma tese sobre isso... só me pergunto por que permitimos que isso aconteça? medo ao ridículo? ou simplesmente porque preferimos deixar acontecer, deixar nas maos desse (cruel) destino? Eu acho que me encaixo em ambos, só depende no momento. E agora que penso, acho que deixar nas maos do destino significa algo muito mais básico por trás da frase: o que queremos é que o interesse seja recíproco. E que algo surja desse interesse entre 2 pessoas, meio sem querer, assim de repente. Nosso orgulho nao nos permite ir por ai fazendo declaraçoes de "interesse" (nao de amor, aqui o amor só está esperando pra atuar) sem ter uma mínima certeza de que o interesse nao é em vao...

Agora eu penso... no caso contrário... quantas pessoas poderiam estar interessadas por mim e eu nao sei?? estou aqui, falando de amores platônicos, e posso estar sendo vítima de um neste instante e o ignoro. Quando passo pelo corredor da faculdade, quando entro no bar, existe algum olhar atento que se lembra de mim e que gostaria de me conhecer? algum olhar cujo dono nunca detectei, talvez porque estivesse também com os olhos a procura de um outro alguém, e ai segue o ciclo interminável... alguém decora meu nome, pensa em mim durante o dia, pensa "eu preciso conhecer essa garota", procura por mim na internet??? Espero, de verdade, que sim... (e se você está aqui, manifeste-se, vamos acabar com esse fato na vida pelo menos parcialmente... nosso graozinho de areia...)

jueves, 9 de octubre de 2008

Ontem assisti Blindness no Festival de Sitges. Isso porque o filme aqui ta prevista a estréia somente pra 2009. Eu nao poderia esperar. Ou sim, mas nao queria. Apesar das críticas no geral nao serem das melhores, o filme me tocou. Tem gente que amou, tem gente que odiou (a percepçao de cada um das coisas pode ser absolutamente diferente, neste caso nao é diferente). Me sinto feliz por fazer parte dos que amaram, na minha lista de momentos que eu adoro sentir, se encontra o momento em que acabo de ver um bom filme no cinema. É por ESSE MOMENTO (e o que o antecede, claro) que eu estudo o que eu estudo. Acho mágico, sensacional, potente. Existe um cara que muita gente nunca ouviu falar, o nome dele era André Bazin e ele era um crítico/teórico do cinema, e ele defendia o cinema como instrumento de registro da realidade. Se a gente filma e o que filma é real e é um registro "direto", mecânico (nao como o pintor que usa o pincel e tenta copiar uma paisagem por exemplo), e por isso o cinema "deve" privilegiar o realismo.
Eu nao estou muito de acordo com ele porque, apesar de ele ter razao em algumas coisas, eu acho que o cinema é justamente o instrumento ideal pra registrar o contrário: a percepçao do mundo que cada um tem, sonhos e lembranças, a subjetividade de alguém, um mundo interno, um mundo sustancialmente feito de imagens. Aliás, pra mim, o realismo é feito absolutamente pela percepçao que cada um tem da realidad, a nossa vida é a nossa realidade, subjetiva, nao uma realidade científica e objetiva. Muitos outros defenderam esse outro cinema surrealista, e é o que mais me atrai... por isso nessas férias comprei 10 livros no Brasil e entre eles se encontravam ótimos textos sobre o assunto, por isso estou adorando minhas complexas aulas de Literatura e Psicoanálise, por isso um certo alguém me chamava sonhadora e nao acho que seja um mero acaso...

Me perco no texto, eu acabei de dizer, nao sei ser objetiva, a minha realidade é essa, a minha, só minha.

2h50, passou da Hora de Dormir.

martes, 7 de octubre de 2008

A volta

Ontem eu acordei... e decidi voltar.
Acontece que sinto o "meu" idioma enferrujar, e acho que uma boa maneira de torná-lo flexível de novo é praticar, e falar e falar e falar. O tempo é o problema, como sempre, mas tanto faz, me sinto com menos responsabilidades porque o antigo blog morreu e com ele, meus seguidores. Agora sou só eu e mais ninguém...