Ontem assisti Blindness no Festival de Sitges. Isso porque o filme aqui ta prevista a estréia somente pra 2009. Eu nao poderia esperar. Ou sim, mas nao queria. Apesar das críticas no geral nao serem das melhores, o filme me tocou. Tem gente que amou, tem gente que odiou (a percepçao de cada um das coisas pode ser absolutamente diferente, neste caso nao é diferente). Me sinto feliz por fazer parte dos que amaram, na minha lista de momentos que eu adoro sentir, se encontra o momento em que acabo de ver um bom filme no cinema. É por ESSE MOMENTO (e o que o antecede, claro) que eu estudo o que eu estudo. Acho mágico, sensacional, potente. Existe um cara que muita gente nunca ouviu falar, o nome dele era André Bazin e ele era um crítico/teórico do cinema, e ele defendia o cinema como instrumento de registro da realidade. Se a gente filma e o que filma é real e é um registro "direto", mecânico (nao como o pintor que usa o pincel e tenta copiar uma paisagem por exemplo), e por isso o cinema "deve" privilegiar o realismo.
Eu nao estou muito de acordo com ele porque, apesar de ele ter razao em algumas coisas, eu acho que o cinema é justamente o instrumento ideal pra registrar o contrário: a percepçao do mundo que cada um tem, sonhos e lembranças, a subjetividade de alguém, um mundo interno, um mundo sustancialmente feito de imagens. Aliás, pra mim, o realismo é feito absolutamente pela percepçao que cada um tem da realidad, a nossa vida é a nossa realidade, subjetiva, nao uma realidade científica e objetiva. Muitos outros defenderam esse outro cinema surrealista, e é o que mais me atrai... por isso nessas férias comprei 10 livros no Brasil e entre eles se encontravam ótimos textos sobre o assunto, por isso estou adorando minhas complexas aulas de Literatura e Psicoanálise, por isso um certo alguém me chamava sonhadora e nao acho que seja um mero acaso...
Me perco no texto, eu acabei de dizer, nao sei ser objetiva, a minha realidade é essa, a minha, só minha.
2h50, passou da Hora de Dormir.
jueves, 9 de octubre de 2008
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